Agora é hora de percorrer os últimos 14 anos da minha vida...
Como já relatado, nos idos de 2002, ainda no relacionamento relevante número 3, conheci um garoto chileno no skype, quando ambos buscávamos alguém para praticar a língua inglesa. Eu, com quase 22 anos, para um menino de 18, me tornava uma "mulher mais velha", interessante, vivendo um relacionamento aberto... Não demorou para praticarmos nosso inglês em sessões de cyber sex :p
Nos falamos regularmente por dois anos, até eu engatar no relacionamento 4, com um bom menino católico, cheio de tradicionalismos e culpas cristãs, que nunca aceitaria tal relacionamento. Conversamos sobre isso e concordamos em ser apenas bons amigos.
Ao longo dos 11 anos seguintes acabamos nos tornando melhores amigos, compartilhávamos tudo e ficávamos, inclusive, longos períodos de tempo sem nos falar tamanha era a grandeza da nossa amizade, pois quando nos "reencontrávamos" era como se o tempo não tivesse passado. Eu vi aquele menino magricela, de cabelos longos se tornar um homem, até o dia que ele me deixou em pânico: Conheci uma mulher 9 anos mais velha, ela tem um filho - que tinha a idade do irmão mais novo dele - estou apaixonado e decidimos ter um filho.
Eu tentava absorver aquela informação ao mesmo tempo que tentava convence-lo de que "é cilada Bino!". Afinal quem, em sã consciência, tem um filho de 4 ou 5 anos, cujo pai não está nem aí pro vai da valsa, e aceita ter outro filho de um menino 9 anos mais novo, sem emprego fixo?
Surtei, tentei demovê-lo da ideia de toda forma e ouvi: você está falando como a minha mãe, o mundo está contra mim, mas eu já decidi. confesso que me deu um frio na espinha...
Eles se casaram em julho de 2011 e em agosto nasceu aquela coisinha que iria amar de forma imensurável... Eu me lembro das fotos, aquele serzinho minúsculo nos braços dele e ele com um olhar que misturava pânico, descrença e um amor incondicional. Dias depois do nascimento, ele me mandou uma foto dele dando banho nela e ela tinha uma mancha de nascença absolutamente igual à da minha sobrinha, que havia nascido uns dois anos antes. Confesso que aquilo mexeu comigo.
A esposa dele é bipolar e a necessidade de parar com os remédios durante a gravidez a colocou numa terrível depressão pós parto, a segunda, afinal o mesmo havia ocorrido com o primeiro filho.
Nesse momento eu comecei a ver aqueles olhos lindos e cheios de vida se apagarem, ele estava exausto, triste e culpado após uma tentativa de suicídio dela. Ele sentia culpa por ter ido a uma reunião da turma da faculdade que a fez levantar suspeitas de uma traição que nunca ocorreu, culpado por tê-la engravidado e a colocado naquela depressão, cansado da carga de trabalho e da grana curta, mas ele nunca desistiu, pois tinha um garoto que ele criou como dele e uma garotinha que precisava do pai. Passamos por tudo isso juntos, compartilhávamos nossos problemas e dividíamos o peso.
Após a morte do meu sogro, ficamos mais próximos do que nunca, nos apoiávamos e então tivemos a coragem de tocar num assunto sensível: o que sentimos um pelo outro?
Então a gente percebeu que era mais do que apenas uma amizade virtual, afinal, esse contato já durava anos! Já havíamos sido "amantes virtuais", sabíamos o que havia de mais baixo sobre o outro, nunca nos julgamos e continuávamos amigos mesmo depois de tantos anos, mas mais que isso, nos sentíamos atraídos um pelo outro.
Durante quase dois anos discutimos nossa relação, fomos ao fundo dela. Ambos confessamos que nos sentíamos atraídos e que várias vezes havíamos pensado em largar tudo pra visitar o outro e ver que bicho dava.
Em julho de 2015, como ele gosta de dizer, causei um mini infarto quando mandei uma foto da passagem aérea... Três meses nunca demoraram tanto a passar...
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