Parte 1? Sim, serão 4. Os 4 relacionamentos que tiveram relevância na minha vida e que tem grande responsabilidade sobre a pessoa que eu sou hoje. Vamos aos fatos:
Quase 15 anos, cheia de razão e conhecimento de vida, me deixei cair no papo furado de um cara 5 anos mais velho, inteligente, interessante, bem vestido e com um toque de sofisticação que, verdadeiramente, me faltava. Foram algumas semanas de paraíso, para 30 meses de inferno.
E quando eu digo inferno, não estou falando de drama adolescente não, estou falando de chegar ao ponto de uma medida cautelar, que vale até hoje, pra manter o caboclo longe.
Não vou ficar aqui esmiuçando minha desgraça, mas vou pontuar as questões: body shame, abuso emocional, físico e sexual, exploração, pornografia infantil, ameaça.
A exploração eu vou esmiuçar porque acho importante entender o ocorrido: ele me fazia pedir dinheiro por aí alegando que eu havia sido assaltada/ fugido de casa/ qualquer desculpa esfarrapada, e eu, no auge do meus 15, 16 anos, obviamente conseguia convencer qualquer um a me ajudar e eu tinha que conseguir, ou era surra.
Ele era TFP - procurem no Google - o que o tornava um fundamentalista religioso, além de um machista da pior espécie, naipe Bolsonaro.
Mas como eu decidi não deixar que tudo isso me fechasse para novas possibilidades, resolvi extrair o melhor dessa experiência e seguir em frente. Graças ao machismo dele, aprendi a cozinhar, lavar roupa e todas essas coisas que no mundo machista são "de mulher"; graças à intensidade dos abusos, nunca mais deixei que ninguém me tratasse de forma desrespeitosa, e quando eu digo ninguém, é ninguém mesmo! Alunos, professores, família, amigos, namorados, peguetes... Ninguém, absolutamente ninguém.
Daí você me pergunta: mas como você ficou com esse cara por tanto tempo? E a resposta é simples: medo. Não há controle mais efetivo que o controle pelo medo. Se funcionou para nações inteiras que se submeteram a governos ditatoriais não ia funcionar pra uma menina de 15 anos? E o medo não era por mim, pois as ameaças eram covardes, contra minha família e amigos, ah, e claro me ameaçava com fotos sensuais que ele havia tirado de mim, fruto principal do processo que culminou na condenação e imposição da medida cautelar...
E é claro que depois de uma experiência dessa não poderia faltar o clássico namorado de transição de merda, tema do próximo tópico.
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